O dilema de uma possível candidatura de Saulo e a ação que pode cassar vereadores do PP

Ventos sopram à favor de uma candidatura a deputado estadual do prefeito Saulo Sperotto, mas o projeto tem que ir pra rua o quanto antes. Veja esta análise e também a representação na Justiça Eleitoral que está tirando o sono dos vereadores do PP em Caçador

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Prefeito de Caçador, Saulo Sperotto

O dilema de uma possível candidatura de Saulo

Com a decisão do deputado federal, Valdir Cobalchini (MDB) de disputar uma vaga no Congresso Nacional, resta agora, como maior incógnita na política local para o pleito do ano que vem, apenas o questionamento sobre o posicionamento do prefeito Saulo Sperotto (PSDB). Nos bastidores do poder especula-se muito seu nome para deputado estadual. Saulo nega veementemente e diz que está inteiramente focado na sua gestão. E isso é verdade. É só sair às ruas para ver a velocidade de obras e ações em várias frentes. Mas, o questionamento ainda está em aberto.

Se fosse pra cravar faltando mais de um ano para o pleito diria que Saulo é candidatíssimo. E, o fato de ele próprio não admitir isso nem em sonho, para mim é a maior das afirmativas. Com quatro mandatos nas costas como prefeito, pode-se dizer que ele já deu sua contribuição para a prefeitura. E, uma candidatura para a Alesc, ainda mais sem Cobalchini como adversário local direto, é um cenário que não pode ser desprezado.

Favorece o cenário o fato de na cidade o clima ser de jogo zerado com o prefeito. Após aquela cassação, ficou um clima de que a cidade estava em débito com ele, pois não concluiu seu segundo mandato. Até por isso essas votações esmagadoras nos pleitos subsequentes. A cidade lhe devolveu a condição de entregar seu projeto de governo. E ele entregou os resultados, seja no mandato passado, o terceiro, ou neste, o quarto, que recém começa, mas já com clima de conclusão de era.

Obras e projetos em andamento fecharão com chave de ouro a era Saulo na prefeitura. É o caso do Parque Linear, que é um complemento do Parque Central, idealizado e feito pelo prefeito no primeiro e segundo mandatos. Mas, há outros projetos também, como a ousada meta de zerar as ruas sem asfalto no centro urbano, a transformação da rodoviária em um amplo e moderno Mercado Público (outro projeto ainda lá do primeiro mandato) e a transformação do aeroporto em um terminal regional.

Esse clima deixa leve uma candidatura do prefeito a deputado estadual. Ninguém poderá dizer que Sperotto está deixando a prefeitura, com projetos inacabados, pois o atual mandato encerra um ciclo de suas ideias. E, na eleição municipal passada, já se falava nesta possibilidade de ter o prefeito eleito e na sequência concorrendo a deputado. Então, não estará se inventando nada, é o curso, é o caminho de uma grande liderança política.

A pressão virá

Outro fator que não poderá ser ignorado pelo prefeito Saulo Sperotto (PSDB) na hora de bater o martelo se vai ou não a deputado estadual, é a pressão que virá de setores da sociedade que enxergarão o vácuo de poder de Caçador no centro da política catarinense, em Florianópolis. Com Cobalchini disputando uma vaga em Brasília, Caçador e região ficam sem representantes pra defender os pleitos no Governo do Estado. É claro que independente do resultado no ano que vem, Cobalchini sempre estará com força no governo Estadual, mas a necessidade de um deputado eleito na Alesc será sentida. Conhecendo Caçador e suas lideranças empresariais e da sociedade como conheço, tenho certeza que essa pressão para que o prefeito encare o desafio virá. E o perfil de Saulo é o melhor que Caçador tem: experiente, conhece os caminhos e atalhos do poder Estadual e Federal.

Começar cedo

Mas, quem conhece como pensa o prefeito Saulo Sperotto sabe que essa decisão não virá agora. Acontecerá só lá na frente. Porém, uma eleição de deputado estadual é uma engenhosa arquitetura de apoios que precisam ser construídos e que resultem em votos. Só com os votos de Caçador e região, Saulo não se elege no PSDB, onde precisará alcançar cerca de 40 mil votos para uma eleição tranquila ou menos para ir pro desespero das contas.

E, é justamente, esse vácuo de movimento entre hoje e o dia de uma possível decisão pelo projeto, o maior dilema e também possível receita de um insucesso. Diferente de uma eleição municipal, onde com o tamanho político que tem, Saulo pode resolver nos 48 minutos do segundo tempo se é candidato ou não, para um embate estadual o buraco é bem mais embaixo.

Acertos com apoiadores precisam ser feitos com antecedência. E esse trabalho tem que começar no mínimo um ano antes. Quem for pra rua só no começo do ano que vem, vai encontrar só apoios sem voto.

Saulo é matemático na política. Se ano que vem entender que pode se eleger, será candidato. O problema é que para ter uma campanha viável, precisará começar trabalhar agora. Eis o dilema de uma possível candidatura Saulo Sperotto.

Representação pede cassação de candidatos do PP

A chapa de candidatos a vereador pelo PP na eleição municipal passada em Caçador está ameaçada de ter todos os seus votos anulados, com a cassação do registro de todos os candidatos, sendo os diplomados eleitos e seus suplentes. Corre na justiça eleitoral uma representação eleitoral de autoria do PT e do candidato a vereador, Valmor de Paula, por abuso de poder em função do não respeito à cota de gênero feminino na chapa.

Dia 22 de abril teve manifestação favorável pelo prosseguimento por parte do promotor eleitoral, Thiago Naspolini Berenhauser. Agora, o processo segue para decisão do juiz eleitoral.

Para se ter uma ideia do impacto que o processo pode ter na política local, na eleição passada o PP elegeu dois vereadores: Itacir Fiorese e Lidiani Cattani. Se o juiz eleitoral for favorável à ação, ambos perdem o mandato. É claro que a ação ainda corre em primeira instância e, em caso de decisão desfavorável caberá aos candidatos do PP a possibilidade de recorrer em instâncias superiores.

O origem da ação teve início com a impugnação de uma candidata a vereadora do PP, em 23 de outubro do ano passado. Pela lei, em função dos prazos, o partido nem precisaria fazer a substituição. Mas, optou em fazê-lo com pedido de registro aceito pela Justiça Eleitoral, sem impugnação de nenhuma das partes, em 7 de novembro. O problema é que a nova candidata, antes de se tornar candidata, apoiava o vereador Fically e na ação questiona-se sua independência na candidatura.

A advogada do PP, Tuanny Caroline Lenz, explica que em momento algum o partido teve intenção de burlar a cota de gênero. Ela está confiante na sentença do juiz eleitoral, mas, já adianta que em caso de decisão contrária pretende recorrer.