Vai em paz, Zart! – a coluna hoje está de luto

Em memória do ex-funcionário deste INFORME e amigo deste colunista, cujo falecimento aconteceu nesta semana, a coluna deste sábado (7) é diferente

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Se escalado fosse para escrever a notícia, faltariam-me palavras. Escreveria apenas: “morreu um irmão”. Nenhuma outra informação! Nada mais, nem foto, nem nada! Nada disso interessaria. Aos leitores talvez, não a mim! E, o choque é tamanho, que nem para escrever alguma singelas palavras, servem-me as técnicas da escrita. Faltam-me elas, justamente, as palavras. Sobram lembranças, boas, todas boas.

É com profundo pesar que lamento e informo, nesta fria e triste tarde de segunda-feira (3) a morte de um grande amigo nesta vida: o jovem Anderson Zart, se não falha-me a memória, jaz aos 31 anos. Toda uma vida pela frente, interrompida em um violento e traiçoeiro acidente no trânsito. Deixa, esposa, filha, família. Deixa-me um nó na garganta. Quão inexplicável é a vida.

Na sua página no facebook fiquei minutos olhando suas fotos, sua vida. Chamou-me atenção a frase: “Só se ganha dinheiro com 10% de inspiração e 90% de transpiração”. Talvez uma adaptação do verdadeiro mantra que lhe repetia, assim como a todos que comigo começaram no jornalismo. E Zart encarnava como poucos esse ensinamento. Dedicado, insistente, sempre buscava a apuração dos fatos até esgotar todas as possibilidades.

Lembro-me de quando deu os primeiros passos no jornalismo em Caçador. De quando chegou na minha empresa e o destaquei para cobrir polícia. Setorista de polícia se saiu com maestria. Tinha no sangue o dom. Foi mais que um funcionário; Tornou-se amigo de minha família e eu da sua. Mais que isso, ficamos compadres. Hoje deixa-nos, justamente, numa ocorrência de polícia. Reafirmo, se precisasse noticiar, não sairiam-me as palavras. A página, amanhã, sairia em branco.

Uma vida interrompida é como um soluço que não sai. É como uma equação que fica na sua mente, e não desaparece, fica ali, martelando e você não entende, não decifra e não quer lembrar, mas ela está ali, sempre ali. Vamos nos confortar em Deus. Entender que ele sabe o que faz. Pois, outra explicação não existe. Nenhum significado há. Nenhum sentido faz.

Me perdoa meu irmão, mas essa notícia não saberei escrever. Pela minha mão os leitores não saberão da sua morte. Aquele conceito de estruturação de texto que tanto lhe ensinei, com lead; decrescendo as informações conforme sua relevância; com coesão e frases curtas preferindo o ponto à virgula… não saberei escrever. Só me saem essas palavras carregadas de sentimentos.

Vai em paz Zart! Foste decente, correto, guerreiro e feliz. Semeaste boas vibrações. Se nas redações escrevestes tantas matérias, agora foi Deus que escreveu esse final. Seu espírito de luta e confiança, jamais sairá de minha memória. Vai em paz, compadre!